quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Campanha Publicitária do Vai de Táxi
domingo, 25 de setembro de 2011
O velho contador de histórias
Eu estava com Guria na frente do China in Box da Manuel Dias a procura de um táxi. Atravessamos a rua e avistei um senhor, cheio de energia, gesticulando e falando alto como quem tivesse organizando a entrada de um carro num estacionamento. Logo depois ele encostou em um Uno, de faixas azuis e vermelhas.
- Tá livre ai?- Tá. Pode entrar!
Entramos os dois no banco do fundo. O Velho era grisalho, parecia ter mais de 70 anos. No entanto pela rapidez com que entrou no carro, ligou e saiu andando, parecia um garoto de 15.
- Vamos pra onde?
- Brotas!
- Hahahaha, Brotas de Macaúbas.
- ??? ham?
- Por onde?
- Vira na próxima direita, pega o itaigara, avenida ACM e sobre a redenção.
- Itaigara? Né pior não?
- Não. Por onde é melhor então?
- ACM, e sobe a redenção.
- Então. Foi isso mesmo que eu falei.
Entramos no sentido Itaigara e paramos numa sinaleira. O senhor gozou de uma senhora que tentava atravessar a rua.
- Nessa lerdeza aí, o sinal vai abrir e vou atropelar. Eu sou velho, mas sou durinho.
- Hehehehe.
- É por que eu lido com gado, no interior. Sou fazendeiro.
- A é? Fica em que interior?
- Brotas de Macaúbas. Conhece?
- (tava explicado o Brotas de Macaúbas) Conheço não. Eu sou de Jequié.
O sinal abriu e por sorte a senhora já havia atravessado a rua. O velho não a atropelaria mais. Seguíamos ali na Avenida ACM, pela região do Itaigara.
- Ah! JEQUIÉ. Terra de Aragão. (gritou)
- De quem? (gritei também)
- Aragão!
- (Minha vontade era fazer uma rima, mas respeitei Guria e a idade dele.) Conheço não.
- Do programa de Mário Kertész. Não escuta não?
- Não.
- É um moço que comenta no programa. Rádio Metrópole, Cento e um ponto três.
O trânsito seguia pesado e lento, já quase em frente ao Teresa de Lesieux. Paramos lado a lado com uma Pajero.
- Oh que carrão da porra.
- É, eu acho bonito também.
- Comprei uma Hilux, mês passado.
- Porra. Massa. Carrão também.
- Era um sonho antigo meu. Agora que eu tô com condições, comprei.
- Massa. Para usar na fazenda. É bom mesmo.
- Minha filha que diz que eu estou ficando maluco. Mas era um sonho, e agora to tendo uma boa condição...
- Com certeza.
- Agora eu tô querendo comprar uma retroescavadeira também.
- Porra! Hehehehe.
- Acho que consigo uns 60mil em três meses.
- Wow! Me ensine seu segredo ai, pra eu juntar essa grana também.
- HAHAHAHAHAHA.
Eu pensei, ou esse velho ta cheio do dinheiro mesmo ou ta caducando.
- É a fazenda né? Dá muito dinheiro.
- Não.
- É o táxi então?
- Não.
- É o que então rapaz?
- Empréstimo de dinheiro a juros.
- Ah!
- Empresto dinheiro a 20% de juros.
- Porra, é muito juros...
- É! Por isso ganho muito. Se empresto 8 mil, ganho 13 mil mais ou menos.
- E calote, não toma não?
- Ah! Já tenho todo esquema. Não sou sozinho nisso não. Tenho os sócios, os seguranças...
- Se alguém não pagar, tu apaga né? Hehehehehe.
- Até hoje nunca morreu ninguém não. Mas tenho os seguranças e pessoas que fazem a cobrança.
- Rapaz, que coisa.
- Eu tenho mais de R$100 mil na rua. Rodando. Vou ganhando e vou emprestando... há 20%
- E assim comprou a Hilux...
- Comprei a Hiluz e agora quero comprar a retroescavadeira.
A conversa sobre toda a máfia e esquema dos empréstimos do velho seguiu do final da Cruz da redenção até a porta do meu apartamento. Indiquei onde ele devia parar. A corrida deu R$17,50. Dei uma nota de vinte reais. Ele me voltou uma nota de R$2,00
- Tô sem moeda aqui. Vou ficar devendo cinqüenta centavos.
- Ah! Tudo bem.
Depois que desci do carro eu pensei.
sábado, 23 de abril de 2011
INRI Taxista
Pensei, já que a rodoviaria não é longe, faltando uns 30 minutos para o horário, eu ligo para uma companhia de táxi e peço um carro que aceite cartão, pois estava sem dinheiro na mão. Da tempo certinho.
Às 23:20h liguei para a solicitar o táxi.
- Boa Noite. Eu gostaria de pedir um táxi.
- Boa noite, o senhor já possui cadastro?
- Sim!
- Qual o nome do senhor e o telefone?
- Gustavo, 3276...
- Ok. Para onde é a corrida?
- Rodoviária.
- Ok. É para que horas o táxi?
- Pra agora moça. O mais rápido que você tiver.
- Olha senhor, a previsão de chegada ai é de 30 minutos, e por conta do ENGARRAFAMENTO na rodoviária, mais 45 minutos até lá.
- Porra! Então não. Deixe pra lá. Pego um aqui na rua mesmo.
- Obrigado senhor.
Só ai eu me dei conta da situação. A rodoviária vai estar super engarrafada e provavelmente um caos para se chegar lá. Precisava correr se não iria perder o ônibus. Do jeito que estava eu peguei a mochila, fechei o apartamento e desci o elevador. Fui até o ponto de táxi que tem próximo ao meu apartamento pra pegar algum dos conhecidos lá. O problema só seria achar algum que aceitasse cartão.
Chegando no ponto, me dirigi ao primeiro da fila. Era um dos que conhecidos.
- Opa! Boa noite. É... Você aceita cartão ai?
- Oh jovem! Cartão, não.
- Poh! Beleza.
- Mas esse de trás ai aceita oh...
Já estava ficando nervoso... o tempo tava passando e o horário do ônibus chegando. Me dirigi ao outro taxista.
- Opa... e ai? Aceita cartão ai?
- Aceita! Pra onde é a corrida?
- Rodoviária.
- Rapaz, não levo não.
- Porraéessa! Por que?
- Ta um inferno pra chegar lá, a gente vai ficar uma hora preso no engarrafamento.
- Porra brother, mas... meu ônibus...
- Levo não. Stress demais, to agüentando isso mais não.
- Puta que pariu...
O miserável me deixou louco. Agora eu acreditava que iria perder a viagem. Além de estar muito atrasado, tinha um engarrafamento gigantesco pra entrar na rodoviária, e só tinha cartão. Eu fiquei desesperado, 23:35h. Eu saí perguntando a todos os taxistas do ponto, tentando apelar para o sentimento de pena, para ver se alguém se comovia.
- Pode levar na rodoviária ali não brother? Na moral. To atrasado já... Vou perder o ônibus.
- E você velho? Eu moro aqui na rua de trás, ando sempre aqui, pego sempre táxi aqui com vocês... Vou perder a viagem velho.
- Porra, comprei ovo de páscoa ai pra família toda no interior oh! Vai perder tudo, Não acredito que vou perder a viagem velho...
Depois de tentar apelar e mesmo assim ninguém se comover com a situação, sai andando pela avenida com a mochila nas costas já me conformando com a perda do ônibus e pensando no que iria falar para os parentes. Caminhei uns 200 metros sem saber pra onde eu estava indo ou o que tava fazendo. Um táxi passou muito rápido pela avenida, e por impulso, na tentativa da ultima cartada, eu gritei...
- Oh TÁXI...
As luzes vermelhas dos freios se acenderam e ele fez a volta. Era um Palio weekend. Encostou e eu expliquei a situação
- Preciso chegar à rodoviária, em menos de 20 minutos. Sei que ta tudo engarrafado lá. Ah, eu só tenho cartão aqui.
- Calma, Entra ai.
- Nenhum taxista quis me levar... E ai vamos fazer como?
- A gente passa em um caixa 24h e você saca dinheiro, pode ser?
- Pode ser... se achar algum no caminho.
- Tem um ali no posto Ypiranga da Bonocô.
- Ta. E o engarrafamento?
- A gente para no Shopping Iguatemi que ta livre, e tu atravessa a passarela para a rodoviária, tranquilo?
Em 2 minutos de conversa o motorista resolveu todo o problema. Essa é a diferença de um bom profissional pra um ruim. Conhecer alternativas na cidade para oferecer ao passageiro de acordo com a sua necessidade. Descemos para avenida Bonocô, paramos no posto e saquei dinheiro. Pegamos o trânsito livre lá e rapidinho estávamos no shopping Iguatemi. Tudo isso não levou 10 minutos. A corrida deu R$12,25. Dei R$15,00 e mandei ficar com o troco. Atravessei a passarela e cheguei em tempo na rodoviária.
domingo, 13 de março de 2011
Perdidos em Recife
Após terminar o show de Lenine no Recife Antigo, lá pras duas e tantas da manhã, saímos eu e Clau para pegar um táxi e voltar a pousada. O problema era que a pousada ficava no centro, bem perto do antigo (onde aconteceu o show) , e, seja Salvador ou Recife, taxista é tudo igual. Sabia que ia ter dificuldade de encontrar algum para nos levar.
Depois de mais de 40 minutos tentando e levando "Não levo porque é perto", resolvemos entrar no táxi e só lá dentro falar o destino. Conseguimos entrar em um, no meio da guerra de pessoas que estavam com o mesmo objetivo.
- Vai pra onde? (com aquele sotaque pernambucano)
- Porra, pode seguir ai... (com o meu sotaque baiano. hehehe)
- Mas seguir por onde?
- Tu sabe onde é a Universidade católica? É perto de lá.
- Acho que sei. É aqui perto né?
Pronto, agora ele já sabia que era perto, e que ia se fuder. Mas não tinha jeito e ia ter que levar. Depois de seguirmos um tempinho pelas ruas de Recife, ele chegou ao prédio da Universidade Católica.
- Pronto, a Católica é aqui, e agora?
- Agora...?
- É... Vamos pra aonde?
O problema era que eu não sabia como chegar na pousada a partir do prédio da universidade. Foi ai que me lembrei de outro ponto de referência que ficava mais próximo da pousada.
- Tu sabe onde é a Contax?
- Contax? O que é isso?
- É uma empresa de telemarketing.
- Sei não.
- É por que, a pousada é perto da Contax. Se chegar lá, eu sei.
Eu confesso que estava perdidinho, não fazia idéia de onde estava e nem de como chegar a pousada. Seguimos rodando a uma velocidade baixa, até o taxista avistar um senhor, sentado em uma cadeira plástica no meio da rua. Encostamos...
- Boa noite, o senhor sabe onde fica a Contax?
- Contax? Eu acho que é seguindo ai em frente.
- Em frente...
- Não, pera ai... Acho que é voltando.
- Voltando...?
- Olha, acho melhor perguntar ali naquele posto.
Havia um posto de gasolina no final da avenida. Resolvemos ir lá. O taxista encostou em um dos frentistas e perguntou...
- Boa noite. Sabe informar onde fica a Contax aqui?
- Contax? O que é isso?
Eu entrei na conversa.
- Boa noite amigo, e a Pousada Solar do Lazer, você conhece?
- Solar...?
- Do lazer, rua Bernando Guimarães.
- Solar... Não, não...
- Porra.
- Não. É melhor tu perguntar aquele taxista ali, visse.
Um outro taxista estava abastecendo no mesmo posto. Meu nervosismo já havia tomado conta de mim e eu já liberava no pensamento "caralho, que merda, puta que pariu". O meu taxista encostou janela com janela no colega de profissão e começaram a conversar.
- Eai, Beleza?
- Opa.
- Venha cá, tu sabe onde fica a Contax?
-Contax?
- É, to querendo levar esses passageiros na pousada que fica do lado dessa Contax.
- Contax...? Deixa eu ver... Contax, Contax...
- E a Pousada Solar do Lazer? Fica na rua Bernardo Guimarães.
- Acho que sei onde fica a Contax, venham me seguindo que vou levar até lá.
Nessa hora eu pensei, "Esses caras armaram alguma coisa, vão ficar rodando comigo e levar todo meu dinheiro". Mas eu não tinha outra opção, fiquei atento, um olho no motorista e o outro no taxímetro. Depois de uns 5 minutos seguindo o outro taxista, eu comecei a me sentir mais familiarizado com as ruas. Sentia que estava perto. Até avistar o letreiro luminoso e gritar...
- Ali!
- O que?
- A Contax.
- Ah! Ali.
- Pronto, a rua de trás fica a pousada.
O motorista da frente acenou com a mão, buzinou e seguiu. Paramos em frente à Pousada. O taxímetro marcava bem mais que a corrida do dia anterior para o mesmo lugar.
- Dezessete e cinqüenta.
- Poh, ontem pegamos um táxi pra aqui e deu oito reais.
- É por que não conheço muito essa região aqui.
- Eu percebi!
Conclusão: Os taxista de Recife também são espertos pra caralho.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Michael Jackson de BH
Saindo de Salvador e estacionando em Belo Horizonte. Encontrei no Youtube um video desse taxista mineiro, que é um cover de Michael Jackson. Achei interessante dividir isso com vocês e provar que as loucuras e delírios dos taxistas contadas aqui, são reais, e não se limitam só a Salvador.
*Ainda bem que ele gravou, por que contando aqui ninguem ia acreditar!
domingo, 16 de janeiro de 2011
O garanhão da Bahia
Eu tinha acabado de sair do cinema do Salvador shopping, já era umas 00:30h. O shopping estava deserto, tudo fechado. Fui direto pra o estacionamento pegar um táxi. Passei por aquelas portas que abrem sozinhas e logo avistei um. Abrir a porta da frente do carro e sentei no banco do carona, ele ligou o carro e saiu andando. O motorista era jovem, seus 38 anos e falava alegremente no telefone celular.
Enquanto rodávamos pelo estacionamento do Shopping procurando a saída, ele continuava o monólogo pelo celular. Eu quieto, prestando atenção em cada palavra.
- Há meu benzinho, não fala isso não, se não fico doido.
- ...
- Ai, ai, ai. Olha que eu vou sim! Meu denguinho, você chamando assim, eu não resisto.
- ...
- Oh paixão, vou levar um passageiro e depois te ligo, benzinho!
Assim que ele desligou o celular, já se virou para mim, tentando se explicar, mesmo sem eu ter pedido nenhuma explicação...
- Rapaz, essa mulher ta louca atrás de mim!
- Hehehehe.
- Conheci lá em Bonfim, no forró do Sfrega. De lá pra cá não para de me ligar.
- Foi mesmo. E ai...
- E ai, ela quer que eu largue tudo aqui e vá pra lá, morar com ela!
- Porra, apaixonou!
- Ta indo pra onde?
- Hahahaha, já tinha até esquecido. Lá em Brotas!
Ou seja, ficamos andando no carro sem ele saber para onde iria me levar. A partir daí, seguiu uma parte do caminho me contando sobre a forrozeira de Bonfim. O motorista me contou tudo. Como conheceu, quantas vezes já tinham ficado juntos, que ela era mais velha, bonita, solteira, empresária, tinha um cachorro, um crossfox e muito dinheiro. Eu já sabia tudo sobre a mulher.
- Já foi em Bonfim?
- Não!
- As mulheres lá ficam doida quando chega homem da capital. Tu é de Salvador mesmo?
- Não, sou de Jequié! Pode ir pela ACM, é melhor.
- JEQUIÉ? Já namorei uma menina de lá.
- Hehehehehehe!
- Liliane. Conhece não?
- Rapaz... não lembro assim não.
- Uma baixinha. Cabelo preto. Gostosinha.
- Acho que não.
- Pois é. Eu tive lá em Jequié...
Subimos a ladeira da Cruz da Redenção que dá acesso ao meu bairro, com ele contando suas aventuras por Jequié. Depois de quinze minutos de conversa, eu já poderia escrever a biografia de Liliane. Ele contou tudo. O cara era fantástico nas histórias com as mulheres. Seguimos pela avenida principal até ele avistar uma bodega que vende churrasquinho, muito conhecida aqui no bairro.
- Quer dizer que você mora aqui perto do churrasquinho?
- É... Aqui é legal!
- Há uns dois meses atrás tava uma neguinha que morava aí do lado. Vinha sempre aqui com ela. Tomava duas cervejas, depois ia no motel e PIMBA!
- Hehehehehe!
- Essa mulher me deixava doido...
Eu percebi que não tinha outro assunto com o garanhão. Ele não fugia do tema. Eu poderia tentar qualquer outra conversa que seria em vão. Como por exemplo:
- Você soube que o zodíaco mudou?
- Já namorei uma menina de Virgem, que de virgem mesmo, não tinha nada.
Ou.
- Viu o jogador Argentino que o Vitória contratou?
- Ah! As Argentinas são maravilhosas.
Ou
- E essas chuvas no Rio heim? Que tragédia!
- Chuva no rio? Já fiz no mar, com sol. Estilo Cicarelli.
Paramos na porta do meu prédio. O Taxímetro marcava R$22,25. Tirei três notas de R$10,00 e entreguei. Ele cobrou somente vinte e me devolveu uma nota de dez. Abrir a porta e no momento que descia do carro o celular dele tocou novamente. Ele atendeu e ouvi ele falando baixinho enquanto saia.
- Oie querida! Acabei de deixar a última corrida aqui. Já estou indo pra casa viu...
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mulher no volante, perigo constante.
É com muito prazer e satisfação que começo a escrever essa estória.
Depois de uma noite daquelas, cheia de emoções e acontecimentos que vou contar para meus netos. Eu me encontrava no meio da Ladeira da Barra às 7h da manhã, sozinho, com o cabelo todo bagunçado e a camisa abotoada errada, esperando um táxi passar pra me levar em casa.
Após cerca de cinco minutos de espera, um carro passou no sentido descendo a ladeira, acenei, e fiz gesto pra fazer a volta, pois queria subir. Quando o Corsa Seddan encostou foi que tive a surpresa. Era uma mulher. Eu entrei no carro tentando minimizar a situação e fazer ela parecer normal, mas, pra mim aquilo não era normal mesmo.
- Lá em Brotas!
- Que lugar de Brotas?
- Ali, perto do Hospital Aristides Maltês.
- Hum!
Seguimos subindo a Ladeira da Barra, para descer pro Canela. Ela era Negra, uma típica mulher soteropolitana, uma roupa de baiana de acarajé cairia certinho nela. Mascava um chicletinho charmoso. Avistei a caixinha “happydent”, do lado da marcha. Pensei em pedir um, mas, senti que ela era fria e calada. Mesmo assim resolvi tentar puxar conversa...
- Rapaz, é a primeira vez que eu pego uma mulher.
- Hehe.
- Uma mulher motorista de táxi, eu quis dizer. Hehe.
- Hum rum.
- É engraçado...
- É!
- Tem muito tempo que é taxista?
- Tem.
Ela não dava abertura. Só respondia trivialmente o que eu falava e mascava o chiclete. Já estávamos entrando no Dique do Tororó e eu não estava prestando atenção no caminho, quando ouvi um barulho de buzina (PAaAaAaaAmMmMm) que me despertou para a situação. Vi que quase tinha acontecido uma batida em outro carro, na verdade não sei quem foi o errado, mas o outro motorista havia ficado muito puto e xingou bastante.
- Sua puta, barbeira. Quer morrer porra.
O outro carro seguiu na frente e o clima no táxi ficou ainda mais frio. Ela seguia calada só no chicletinho. Eu não resisti à piada, e comentei.
- Rs. Mulher no volante, perigo constante.
- É o que?
- Hehe! Nada não.
- Mulher no volante perigo constante, uma ova. Não me venha com essas piadinhas machistas não.
- Rs. To brincando...
- Se quiser, pode descer do táxi.
- NãoOo! To brincando poh.
- Ele que foi errado, tentou cortar pela direita.
- Foi... Eu vi!
- Pois é!
- Foi mal.
Depois da piadinha mal colocada eu fiquei sem graça e sem saber como puxar conversa de novo. Seguimos calados, só se ouvia o barulhinho do chicletinho. Algumas vezes tentava uma aproximação mas, sem sucesso.
- Calor né?
- É...
-É... Ta demais!
- É...
Ela conduziu o táxi com minha ajuda até a porta do meu prédio e estacionou.
- Dezoito reais!
- Ta... Toma aqui.
- Deixa te dar meu cartão, se precisar... Sempre rodo na noite.
- Ah! Eu quero. Sempre pego táxi de madrugada.
- Pronto. É só ligar.
Peguei o cartão e olhei. Lá estava seu nome, o telefone, viagens, turismo, aeroporto, ferry-Boat, atendimento personalizado para idoso, atendimento com hora marcada. Eu olhava o cartão e pensava que não podia descer do táxi sem tentar me desculpar ou tornar o clima mais amigável depois da piadinha. Mas não me vinha nada na cabeça... nada... nada... só mantinha o olhar fixo no cartão. Abri a porta do carro e pensei... “Porra, vou falar o que...?”
- É...
- Oi?
- Ahn!? Posso pegar um chicletinho?
Segue ai o cartão da Cida. Taxista, mulher e que dirige muito bem. Deixei o número oculto para manter a privacidade dela, mas se alguém quiser é só me pedir.

